
SOBRE O PROJETO
A filosofia tem sido estudada no Brasil por diversas perspectivas ao longo do tempo, reproduzindo, nestas terras, sua diversidade de correntes e problemas. Também diversas foram as formas de se fazer filosofia: com predominância da exegese e comentários de texto de inspiração medieval; de forma menos numerosa a ensaística, que foi resultado do autodidatismo anterior à fundação das universidades brasileiras, e; a partir da segunda metade do século XX, tem-se o academicismo dos especialistas radicados nos departamentos recém-inaugurados, sem que isso signifique uma ruptura com a exegese e a forma ensaística.
Com o advento das universidades surgiram os primeiros cursos de filosofia do país. E, consequentemente, os primeiros currículos ou grades de disciplinas desses cursos. Dessa forma, alguém, ao pegar um desses currículos, seguramente lerá nomes gregos, alemães, franceses e ingleses, com algumas repetições e quase nenhuma novidade. Alguma estranheza talvez surja na reflexão daquela pessoa brasileira que, em se interessando por estudar filosofia, não encontre na grade de seu curso nomes ou obras brasileiras.
É verdade que há tempos a filosofia circula entre nós com perspectivas e formas variadas e que gerou, portanto, obras singulares. Então, por que essas obras não constam nos currículos e grades de disciplinas dos cursos? A resposta, às vezes escritas e outras proferidas nos corredores, nos parece, tangencia um certo pessimismo acerca dessa questão: ou essas obras brasileiras não são estritamente filosóficas ou não são suficientemente importantes para lá constarem.
Sem pretensão de remover o mérito dos estudos das obras ditas clássicas, mas preocupados com a presença tímida ou total ausência da filosofia brasileira nos departamentos de filosofia, fundamos, em 2024, O Grupo de Estudos Filosofia Brasileira. Vinculado ao Departamento de Filosofia da UFPE, ele é resultado do interesse de discentes que desenvolvem pesquisas na área, desde 2018, e conta com o apoio e orientação de professores. Seu objetivo é estudar, divulgar e organizar eventos sobre essa temática. Somando-se, portanto, a outros grupos de outras instituições que têm iniciativas semelhantes e contribuem para a valorização do pensamento brasileiro.